Blog do Brenê

Blog criado com o intuito de desabafar certas incompatibilidades com a vida em sociedade, falar sobre esportes (de preferência cicloturismo), sobre biologia, música (de preferência Heavy Metal) ou qualquer outro assunto que surgir.

10/12/08

Coração…

Há algum tempo eu escrevi uma história triste que começava com: “Uma lágrima escorreu pelo meu rosto…”. Eu pretendia começar esta postagem exatamente assim, mas isto não será possível, pois não foi uma lágrima que escorreu, foram várias, e foram de alegria.

Todos sabem sobre as desgraças que cairam sobre Santa Catarina, pois bem, sabem também que em todo lugar estão pedindo doações para as pessoas que perderam tudo que possuiam por lá. Nada de mais para pessoas que tem plena consciência e entendimento de mundo, muitos de vocês podem pensar assim, eu também pensava.

Com a proximidade do natal, com a perspectiva de que meu “pequeno” ganhe muitos brinquedos e como o quarto dele é pequeno, resolvemos ajudar a alegrar o natal de algumas crianças que perderam tudo e em contrapartida “aliviar” o quarto do menino.

Começamos a conversar com ele sobre um lugar onde havia chovido muito e que tinha entrado água nas casas das pessoas e que alguns meninos tinham perdido seus brinquedos, perguntamos se poderíamos dar os brinquedos que ele não brinca mais para esses meninos. A primeira resposta foi: “Não, é meu”. Decidimos mostrar a ele o lugar do qual falavamos e fomos procurar na internet vídeos de reportagens sobre o ocorrido em Santa Catarina. Em segundos apareceu uma lista com muitos vídeos, escolhi um e abri para mostrar a ele as casas cheias de água.

Quero fazer um parêntese para me desculpar pela escolha do vídeo, talvez não tenha sido a melhor escolha, era uma reportagem sobre uma senhora que perdeu tudo e quase todos os parentes durante os desbarrancamentos, uma história triste que talvez ainda seja muito complexa para meu menino entender, mas durante a reportagem várias imagens de casas semi-submersas foram mostradas, as quais mostramos como sendo de “meninos que perderam seus brinquedos”. Após o final do vídeo, ele pulou do meu colo, correu para seu quarto, pegou um brinquedo, trouxe para a sala e disse: “Pode dar um, né?”

No dia seguinte fui para o trabalho e minha esposa e meu filho ficaram em casa separando brinquedos para doar. Ao chegar em casa a noite, me mostraram que haviam separado uma sacola de brinquedos e um bicho de pelúcia quase do tamanho do meu filho, que ele adora.

Liguei para 193 (telefone de emergência dos bombeiros, anote para caso precise algum dia) para saber como deviamos proceder para doar o que haviam separado. Fui informado que bastaria entregar as doações em qualquer base do corpo de bombeiros que as doações chegariam a Santa Catarina, há um corpo de bombeiros perto da minha casa, foi para onde decidimos levar os brinquedos.

Pegamos a sacola e o bicho de pelúcia (que meu filho mesmo carregou) e fomos a pé para a base dos bombeiros. Ao chegarmos, fomos prontamente atendidos por um bombeiro que estava de serviço, identificamos a intensão de doar os brinquedos. O bombeiro nos agradeceu e recolheu o que haviamos levado, caminhando por entre as pilhas de doações acumuladas no chão da base, colocou os brinquedos na pilha designada para os brinquedos.

Meu filho acompanhou cada passo do bombeiro, olhando onde ele estava levando “seus” brinquedos que ele derá para o “menino”, andava de um lado para outro melhorando o ponto de vista e o campo de visão, para não perder o bombeiro de vista, vigiando-o, para saber o que o bombeiro faria com os brinquedos.

Quando o bombeiro retornou para perto de nós, pedi ao meu filho que dissesse o que era para ser feito com os brinquedos que haviamos levado, ao que , olhando para o bombeiro disse: “É para dar pro menino que não tem, que a casa encheu de água” (ou algo com esse conteúdo). Então meu filho olha para mim e com a cara mais sorridente me pergunta:

- Papai! Agora o “menino” vai ficar feliz?

Então com as lágrimas teimosas escorrendo pelo meu rosto eu respondi:

- Vai sim filhão, vai sim…

E dei lhe um grande e apertado abraço.

 

Brenê

criado por brenezao    22:39 — Arquivado em: Sinceramente

28/8/08

Só pra não passar Agosto em branco…

Esse post é só para não perder o melhor mês do ano, e como ele estava chegando ao fim e não tive nenhuma inspiração, um pingo de criatividade, de capacidade, para escrever algo de útil e inspirador para brindar outras mentes que lêem-me pelo mundo, farei um breve relato do mês apenas para deixá-lo presente no blog.

Neste mês fui vacinado, fiquei doente, recuperei minha magrela, esperei melhorar da saúde, voltei a pedalar, assisti alguns pedaços das olimpíadas, me emocionei com alguns guerreiros (sim alguns atletas brasileiros são guerreiros) que deram tudo que podiam e não ganharam a tão sonhada medalha, levei o filhão na escola, fui buscá-lo de bicicleta, tive um dia dos pais com direito a festinha e tudo mais, fiquei mais velhinho, enfim foi um bom mês.

Espero ter em setembro mais inspiração e tempo para escrever coisas mais profundas, alegres, críticas, engraçadas do que tive neste mês tão corrido que está para terminar.

Um abraço a todos e até a próxima postagem.

Brenê

criado por brenezao    22:46 — Arquivado em: Sem categoria

27/7/08

Malabaristas

Somos um país de malabaristas. Não digo isso no bom sentido. Sim há um bom sentido em ser uma nação de malabaristas. Seríamos aquela nação que faz “das tripas coração” para que tudo aconteça certinho, dentro dos prazos, nos “termos da lei”, mas como disse antes, esse não é o nosso caso. O nosso caso é ser malandro, esperto, levar vantagem, só obedecer a “lei de Gerson”, isso é o que passamos aos nossos filhos e se não passamos nós mesmos, sempre haverá alguém que se encarregará de fazê-lo. Bom, vamos voltar ao que interessa.
Todos que me conhecem sabem que até a bem pouco tempo atrás eu ia para todo lado da nossa cidade de bicicleta. As coisas mudaram um pouco, e então eu sou mais um, dos que se digladiam, para entrar no metrô lotado; que passa quase 4 horas diárias chacoalhando num ônibus lotado para ir e vir nesta cidade louca.
Nestas “idas e vindas” diárias, comecei a observar algumas coisas que teimam em se repetir e pior a aumentar de número, são os “meninos malabaristas” da cidade de São Paulo. Eles estão em cada farol do meu trajeto. Jogam bolinhas, pedras, varas, tochas, latas e tudo mais que puderem encontrar, com uma maestria profissional, fazem isso para arranjar alguns trocados para sobreviver, para fugir dos pais que abusam deles, para se manterem fora de casa, para conseguir drogas, enfim pelos mais variados motivos.
Vamos imaginar, por apenas um segundo, os produtos que a China, tão em evidência hoje em dia por seus produtos de baixa qualidade, irá exportar dentro de alguns anos. Quanto tempo leva o aprendizado para melhoria dos produtos?
Vamos imaginar qual tipo de avanço tecnológico nos apresentarão os suecos, finlandeses, alemães. Quanto tempo leva a descoberta de novas técnicas, de novos caminhos para achar novas respostas a velhas perguntas?
Vamos imaginar a quantidade de novos estúdios, atores e filmes que os americanos irão lançar e licenciar para o resto do mundo? Quantas marcas e patentes irão requerer neste mesmo período?
Agora vamos imaginar quantos malabaristas serão necessários para o mundo? Qual a necessidade real em se basear todo o ganho futuro de uma nação em treinamento e desenvolvimento de malabaristas?
Está na hora de pensarmos nossos valores e nossas medidas, pois como já dizia um “velho filósofo”, “o que você faz aos 14, 15, 16 anos, certamente vai repetir aos 30 anos de idade”. E como todo investimento tem seu retorno, pensemos:
- Milhões e milhões são “gastos” na educação nos países desenvolvidos, com o retorno de novas tecnologias, novas descobertas, e bilhões em empregos diretos e indiretos.
- Milhões e milhões são “gastos” com a industrialização em países como a China, Índia, com o retorno de bilhões no PIB destes países.
- Milhões e milhões são “gastos” com a indústria cinematográfica, com o retorno de um planeta inteiro pagando “royalties” a ela.
- Nada é “gasto” para criar malabaristas, então como já dizia aquela propaganda famosa, a criação de uma nação de malabaristas “não tem preço”.

Brenê

criado por brenezao    20:20 — Arquivado em: E assim vai

28/6/08

Pai…

Todo mundo sabe que as palavras proferidas podem cortar como uma espada, mas poucos sabem que as não proferidas cortam duas vezes mais, uma vez em quem não disse e outra vez em quem não ouviu. Sendo assim, aqui vão as minhas, mas vão escritas mesmo que é para durarem para sempre.
Pai saiba com toda certeza do mundo que eu tenho muito orgulho de você. Eu sei de tudo (ou quase tudo) o que você abriu mão ou assumiu, para que eu me tornasse a pessoa que sou hoje, não só eu, mas meu irmão também.
Agora eu entendo algumas coisas que você me ensinava, pretendo um dia entender todas elas. Espero um dia conseguir ser tão PAI quanto você é para nós.
Lembro quando nós quatro íamos para o quintal de Itu e construíamos móveis para a casa. Como me ensinava a ter paciência para executar algumas tarefas. Na época eu não dei o devido valor, acho que nunca damos, só fui perceber como esses momentos foram importantes para a formação do meu caráter, do meu modo de pensar e de agir, acho que até mesmo com a minha implicância com o mundo do modo que é. Nunca serei capaz de agradecer o suficiente pelas coisas que você fez por mim e meu irmão, então o mínimo que eu posso fazer é deixar registrado o que você fez e tentar plantar a mesma semente na próxima geração. Espero que você leia estas linhas um dia. Obrigado pai.

Brenê

criado por brenezao    21:01 — Arquivado em: Sinceramente

Pensamento

A carinha sorridente mostra a inocência. O modo de andar descontraído mostra a perfeição do “não saber”. Quando fala imitando nossos gestos, apresenta a incrível inteligência que tem. Imitando gestos expõe o poder de observação que possui.
O aprendizado rápido, com associações malucas, invenções misturadas com fatos reais, a indiferença sobre assuntos “sérios” associadas a uma visão de mundo única, o transformam em um ser humano único e especial.
O brilho nos olhos e a gargalhada “fácil” que dá com as coisas mais “mundanas”, te faz imaginar o que se passa naquela cabecinha.
Sabe do que eu estou falando? Não? Então pense na sua infância, tudo o que puder lembrar. Agora imagine seu pai assistindo a tudo isso. É o que eu estou fazendo agora, assistindo uma infância em desenvolvimento.

Brenê

criado por brenezao    20:56 — Arquivado em: Rapidinhas

Quem trabalha para o demônio?

Jovens cabeludos gritam palavras demoníacas enquanto jogam garrafas de bebida vazias nas ruas escuras da cidade, prejuízo de dois salários mínimos, referente ao pagamento de dois garis para limpar a sujeira e alguns milhares de neurônios nas cabeças. Todos são presos em menos de duas horas.
Três jovens tirando “rachas” em avenidas da cidade perdem o controle dos veículos e colidem entre si. Ao colidirem acertam em cheio um outro veículo que transitava, onde uma família de três pessoas voltava para casa, morreram todos no local. Outro carro dos jovens, desgovernado, atropela vinte pessoas em um ponto de ônibus. Os três jovens sobrevivem com arranhões superficiais, graças aos “airbags” de última geração que equipavam os veículos. Prejuízo de sessenta mil reais para cada jovem e vinte e três pessoas a menos no mundo.
Um representante comercial de uma empresa de químicos, tentando aumentar a própria margem de lucro, suborna um funcionário “estatal” para retirar o dinheiro das merendas das creches e escolas públicas e “engordar” as notas fiscais com valores excedentes para dividirem entre si. Prejuízo para vinte mil crianças que passam a ter como merenda água e bolacha de água e sal, além de milhares de reais gastos com saúde, combate a fome, desnutrição, etc.
Um funcionário do alto escalão se deixa subornar e desvia dinheiro destinado às escolas públicas. Prejuízo de milhões de reais para os cofres públicos, e a criação de uma nova geração de crianças e jovens que já tem as oportunidades encolhidas, alvos fáceis para os aliciadores, traficantes, etc.
Empresas constroem edifícios com materiais de “segunda”, gerando desabamentos e mortes. Prejuízo para milhares de vidas, anos de sofrimentos para os sobreviventes e milhares de reais em processos que se arrastam por décadas.
Empresas, que buscam baratear os custos de produção, procuram países com “mão de obra” menos qualificada e abundante para instalar suas linhas de produção. Prejuízo de alguns milhares de trabalhadores de baixa renda sendo explorados e “mortos pelo trabalho”, milhares de crianças tiradas das escolas e inseridas no mercado de trabalho e o surgimento de locais onde se pratica o trabalho escravo e exploração de imigrantes.
O presidente de um país de futuro… Bom pelo menos os jovens adoradores do demônio foram todos presos…

Brenê

criado por brenezao    12:40 — Arquivado em: E assim vai

25/5/08

Solucionador de problemas

Recebi isso por e-mail, achei legal então tá aqui…

Brenê

criado por brenezao    23:46 — Arquivado em: Cômicos

24/5/08

Não é saudosismo…

Visitando a minha mãe mês passado, durante um café da manhã, eu vi sobre a mesa uma faca com a inscrição “VASP”.
Minha mãe trabalhou na VASP por um tempo, não sei quanto tempo foi, mas foi o suficiente para que ela ganhasse da empresa passagens para levar nossa família para uma viagem com destino a escolher, dentro do território brasileiro.
Depois de uma conversa com meu pai, eles decidiram que iríamos para Maceió. Marcada a data, arrumamos as bagagens e fomos.
Foi a nossa primeira viagem de avião, dos meus pais inclusive.
Não me lembro da viagem propriamente dita, mas chutando posso dizer que provavelmente ou meu irmão e eu brigamos para sentar na janela ou sentamos cada um em uma janela, pois meus pais deram um jeito disso ocorrer.
Uma coisa que me lembro muito claramente é a praia, a água do mar era cheia de plantas aquáticas (algas), coisa que na época achei muito ruim, mal sabia eu, que um dia iria ter esperanças de que todas as praias fossem assim, vivas!
Outra coisa que me lembro bem é de estarmos em família, passeando, e que a cidade era muito quente, tão quente que o asfalto da rua que separava o hotel da areia da praia, chegava a derreter durante o dia.
A essa altura do texto, você deve estar pensando, o que aconteceu com a faca? Bom eu digo, não me lembro exatamente como ela foi parar na casa da minha mãe, provavelmente eu ou meu irmão, ou os dois juntos arranjamos um “souvenir” no vôo de volta para casa (se pegássemos no vôo de ida e meus pais descobrissem nos fariam devolver no vôo de volta). Esse “souvenir” fez efeito mais de dez anos depois, graças a um café da manhã, onde usamos a faca “arranjada” no avião, e por fim acabei me lembrando dessa viagem que fez parte da minha infância. Nos dias de hoje o “souvenir” teria durado no máximo dez minutos durante a refeição do vôo, onde a faca descartável provavelmente quebraria ao cortar gelatina.
Como eu disse antes não é saudosismo, é falta de qualidade mesmo!

Brenê

criado por brenezao    23:48 — Arquivado em: E assim vai

22/5/08

Lágrimas

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto ao ver tal cena. Tão assombrosa que foi, não consegui parar de olhar. A arrogância das pessoas que passavam e faziam cara feia, a indiferença de alguns, o nojo de outras.

Você deve estar imaginando, o que poderia ser tão horrendo que valesse o trabalho de escrever essas linhas? Porque tal coisa deveria ficar marcada em algum lugar, para ser lida e pensada por outras pessoas? Porque deveríamos nos importar com tal cena? O que podemos fazer para que ela nunca mais ocorra?

Então imagine seu filho com 3 anos de idade (se você não tem filho, imagine como ele será com 3 anos de idade), veja cada mecha de cabelo, as orelhinhas pequeninas, os olhinhos que brilham quando você chega em casa, os dedinhos das mãos e dos pés que ele sempre pede que você "morde bincando", as perninhas tortinhas, o jeito engraçadinho dele correr pra te dar um abraço gostoso, aquela marquinha de nascença, os dentinhos tão pequenininhos, agora veja-o recolhendo latas no lixo para sobreviver, com as roupas esfarrapadas, todo sujinho.

Te fiz chorar? Não? Então deve haver algo errado comigo, pois chorei duas vezes, uma quando ví e outra quando escreví sobre o filho de alguém que recolhia latas para viver.

Brenê

criado por brenezao    0:07 — Arquivado em: E assim vai

21/5/08

João e José

João* e José* são vizinhos. Certo dia João encontra José na porta de casa. Sorridente, alegre, realmente feliz. João brincalhão, como sempre, não podia deixar passar a oportunidade de brincar com o vizinho.

- E aí vizinho, tá todo sorridente, a noitada foi boa?
- Não é nada João, deixa pra lá…
- Não quer contar como foi com a "patroa", tudo bem!
- Não é isso João, é bobagem…
- Coisa boa não pode ser bobagem. Fala pra mim o que foi José, o que te deixou tão feliz? Também quero um pouco disso!

Nessa hora João sorriu meio sem jeito por ter tentado brincar com o amigo, percebeu que era alguma coisa séria e esperou ansiosamente uma resposta do amigo.

- Sabe João… - Começou José com a cabeça baixa - eu te falei que era bobagem, isso nem deveria ser motivo de tanta alegria, orgulho ou satisfação pra ninguém, mas é uma coisa tão difícil de se conseguir…

- Fala logo o que é José! Interrompeu João já quase em pânico.

- Não é nada não João, é que na segunda-feira eu consegui meu primeiro trabalho com carteira assinada, depois de 16 anos de maioridade…

João engoliu em seco e rumou em direção à sua casa.

Brenê

* Os nomes dos protagonistas foram trocados, para a segurança dos envolvidos e das respectivas carteiras, assinadas ou não.

criado por brenezao    23:55 — Arquivado em: Cômicos
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