Blog do Brenê

Blog criado com o intuito de desabafar certas incompatibilidades com a vida em sociedade, falar sobre esportes (de preferência cicloturismo), sobre biologia, música (de preferência Heavy Metal) ou qualquer outro assunto que surgir.

21/8/11

Bacalhau holandês

“Bacalhau holandês”. Era o que se lia na lateral da caixa arrastada pela rua. Ao longe se via a pequena velocidade e a grande dificuldade com que a caixa era conduzida. Quem olhava deduzia que era de grande peso. O semblante sofrido e o grande esforço realizado pelo homem confirmavam tal dedução.

O ônibus se aproximava a grande velocidade do conjunto “homem-caixa”. O motorista resmunga algo incompreensível. Os passageiros dormem. O homem-caixa se esforça para ir mais rápido para a calçada. O cobrador excomunga o homem-caixa. Os passageiros dormem. O homem-caixa se esforça ao máximo para tirar a caixa da rua. O motorista xinga o homem-caixa. Os passageiros dormem. O cobrador esbraveja palavrões. O homem-caixa chorando num esforço sobrehumano se aproxima do meio fio. Os passageiros dormem. O motorista buzina e xinga mais uma vez o homem-caixa, para tirá-lo da frente do ônibus. Os passageiros dormem.

Então num último esforço desesperado o homem-caixa se curva sobre a caixa, erguendo-a alguns milímetros do solo e a arremessa o mais longe que suas forças permitem em cima da calçada, e por alguns milímetros apenas, o ônibus não atropela o homem-caixa.

O motorista e o cobrador proferem, aos berros, palavrões que são encobertos pela buzina ininterrupta do ônibus, acompanhados de fortes solavancos do ônibus, advindos de uma última tentativa desesperada do motorista em atropelar o homem-caixa (sim, eu disse: “…última tentativa desesperada do motorista em atropelar o homem-caixa…”), com grande estardalhaço e barulho nos distanciamos do homem-caixa, que chora e soluça de desespero pelo terror que passou fugindo de um ônibus “desgovernado”. Os passageiros já não dormem mais.

Se você já andou de ônibus na cidade de São Paulo, pode concluir sozinho se esta história é verídica ou não, mas por via das dúvidas, na próxima vez que estiver atravessando a rua e ouvir uma buzina de um ônibus, não pense duas vezes, largue a sua “caixa” e salve-se no abrigo seguro de uma calçada.

criado por brenezao    17:01:39 — Arquivado em: Indignação, Sinceramente

2/8/11

Putz

criado por brenezao    00:14:31 — Arquivado em: Rapidinhas

15/6/11

Educação…

Recebi essa mensagem por e-mail, e por mais triste que pareça resolvi compartilhar essas verdades com vocês. Quem sabe assim mudamos um pouco nossas atitudes e nossos valores…

Brenê

Quino, o cartunista argentino autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartoon o seu sentimento:

criado por brenezao    23:58:47 — Arquivado em: Indignação, Na Internet, Sinceramente — Tags:, ,

13/6/11

Sustentabilidade

Algo para se pensar, principalmente para quem quer deixar algo para a posteridade, para os filhos, os netos, que tal deixar o PLANETA???

Story of Stuff

criado por brenezao    15:21:30 — Arquivado em: Na Internet — Tags:,

12/6/11

Lição de vida… Para TODOS

Eu recebi o texto abaixo por e-mail, não sei se é verídico ou não, mas na verdade isso não é o importante, o que importa é a lição de moral que ele trás. Então leiam e tirem as próprias conclusões…

A carta abaixo foi escrita por um imigrante vietnamita que é policial no Japão (Fukushima). Foi enviada a um jornal em Shangai que a traduziu e publicou. Recebi essa tradução, com a nota de ter sido traduzida o mais fielmente possível ao texto original.

Querido irmão,

Como estão você e sua família? Estes últimos dias têm sido um verdadeiro caos. Quando fecho meus olhos, vejo cadáveres e quando os abro, também vejo cadáveres.

Cada um de nós está trabalhando umas 20 horas por dia e mesmo assim, gostaria que houvesse 48 horas no dia para poder continuar ajudar e resgatar as pessoas.

Estamos sem água e eletricidade e as porções de comida estão quase a zero. Mal conseguimos mudar os refugiados e logo há ordens para mudá-los para outros lugares.

Atualmente estou em Fukushima – a uns 25 quilômetros da usina nuclear. Tenho tanto a contar que se fosse contar tudo, essa carta se tornaria um verdadeiro romance sobre relações humanas e comportamentos durante tempos de crise.

As pessoas aqui permanecem calmas – seu senso de dignidade e seu comportamento são muito bons – assim, as coisas não são tão ruins como poderiam. Entretanto, mais uma semana, e não posso garantir que as coisas não cheguem a um ponto onde não poderemos dar proteção e manter a ordem de forma apropriada.

Afinal de contas, eles são humanos e quando a fome e a sede se sobrepõem à dignidade, eles farão o que tiver que ser feito para conseguir comida e água. O governo está tentando fornecer suprimentos pelo ar enviando comida e medicamentos, mas é como jogar um pouco de sal no oceano.

Irmão querido houve um incidente realmente tocante que envolveu um garotinho japonês que ensinou a um adulto como eu uma lição de como se comportar como verdadeiro ser humano.

Ontem à noite fui enviado para uma escola infantil para ajudar uma organização de caridade a distribuir comida aos refugiados. Era uma fila muito longa. Vi um garotinho de uns 9 anos. Ele estava usando uma camiseta e um par de shorts.

Estava ficando muito frio e o garoto estava no final da fila. Fiquei preocupado se, ao chegar sua vez, poderia não haver mais comida. Fui falar com ele. Ele disse que estava na escola quando o terremoto ocorreu. Seu pai trabalhava perto e estava se dirigindo para a escola. O garoto estava no terraço do terceiro andar quando viu a tsunami levar o carro do seu pai.

Perguntei sobre sua mãe. Ele disse que sua casa era bem perto da praia e que sua mãe e sua irmãzinha provavelmente não sobreviveram. Ele virou a cabeça para limpar uma lágrima quando perguntei sobre sua família.

O garoto estava tremendo. Tirei minha jaqueta de policial e coloquei sobre ele. Foi ai que a minha bolsa de comida caiu. Peguei-a e dei-a a ele. “Quando chegar a sua vez, a comida pode ter acabado. Assim, aqui está a minha porção. Eu já comi. Por que você não come”?

Ele pegou a minha comida e fez uma reverência. Pensei que ele iria comer imediatamente, mas ele não o fez. Pegou a bolsa de comida, foi até o início da fila e colocou-a onde todas as outras comidas estavam esperando para serem distribuídas.

Fiquei chocado. Perguntei-lhe por que ele não havia comido ao invés de colocar a comida na pilha de comida para distribuição. Ele respondeu: “Porque vejo pessoas com mais fome que eu. Se eu colocar a comida lá, eles irão distribuir a comida mais igualmente”.

Quando ouvi aquilo, me virei para que as pessoas não me vissem chorar.

Uma sociedade que pode produzir uma pessoa de 9 anos que compreende o conceito de sacrifício para o bem maior deve ser uma grande sociedade, um grande povo.

Envie minhas saudações a sua família. Tenho que ir, meu plantão já começou.

Ha Minh Thanh

DEZ COISAS A SEREM APRENDIDAS COM O JAPÃO

1 – A CALMA

Nenhuma imagem de gente se lamentando, gritando e reclamando que “havia perdido tudo”. A tristeza por si só já bastava.

2 – A DIGNIDADE

Filas disciplinadas para água e comida. Nenhuma palavra dura e nenhum gesto de desagravo.

3 – A HABILIDADE

Arquitetos fantásticos, por exemplo. Os prédios balançaram, mas não caíram.

4 – A SOLIDARIEDADE

As pessoas compravam somente o que realmente necessitavam no momento. Assim todos poderiam comprar alguma coisa.

5 – A ORDEM

Nenhum saque a lojas. Sem buzinaço e tráfego pesado nas estradas. Apenas compreensão.

6 – O SACRIFÍCIO

Cinqüenta trabalhadores ficaram para bombear água do mar para os reatores da usina de Fukushima. Como poderão ser recompensados?

7 – A TERNURA

Os restaurantes cortaram pela metade seus preços. Caixas eletrônicos deixados sem qualquer tipo de vigilância. Os fortes cuidavam dos fracos.

8 – O TREINAMENTO

Velhos e jovens, todos sabiam o que fazer e fizeram exatamente o que lhe foi ensinado.

9 – A IMPRENSA

Mostraram enorme discrição nos boletins de notícias. Nada de reportagens sensacionalistas com repórteres imbecis. Apenas reportagens calmas dos fatos.

10 – A CONSCIÊNCIA

Quando a energia acabava em uma loja, as pessoas recolocavam as mercadorias nas prateleiras e saiam calmamente.

Igualzinho ao que aconteceria no Brasil, não é brasileiros e brasileiras???

criado por brenezao    13:04:38 — Arquivado em: E assim vai, Na Internet — Tags:, ,

8/3/11

Vontade X grana

Eu sou um grande entusiasta do ciclismo, me lembro de ter uma “magrela” desde que eu era pequeno, a primeira foi uma “dobravelzinha”, que tinha um parafuso no quadro, onde havia uma dobra, para poder guardá-la com mais facilidade. Lembro-me de pedalar com meu irmão na rua de terra onde fica até hoje a casa da minha mãe no interior, como ele é menor que eu sua bicicleta também era, a dele não dobrava como a minha. Lembro de comprar pneus para a minha “dobrável”, tirar os pára-lamas (para ficar mais radical), lembro do tempo passar e ela ficar pequena e desgastada, até que eu não coubesse mais nela.
Logo depois vieram as “caloi cross” vermelhas, tinham um pneu mais grosso na frente, até hoje não sei o motivo, eram iguais, a minha e a do meu irmão. Então quando já não cabíamos mais nas caloi cross, vieram as caloi “cruiser”, com 10 marchas. Como eram iguais e nós éramos adolescentes personalizamos ambas de maneiras diferentes, cada um com a sua bicicleta diferente, mas igual. Andamos muito nelas, quantas idas e voltas até Cabreúva, Porto Feliz, Salto, para a Serra do Japí foram apenas duas, nunca chegamos até São Paulo, uma pena, porque a vontade permanece até hoje.
Então um dia toca o telefone, roubaram a casa da minha mãe, o que levaram? As “magrelas”, que ódio, que raiva, tomara que dêem de cara com uma jamanta… O tempo foi passando e a raiva se dissipando, veio a mudança de escola, a faculdade, o cigarro, a correria de São Paulo e as “magrelas”, caíram no esquecimento, uma pena, lembro-me sempre de estar com uma ao meu lado, com um baita sorriso no rosto, pedalando, com o vento batendo na cara, fazendo força pra subir e me “largando” nas descidas.
Então veio o final da faculdade, desemprego, falta de grana, vontade de mudar alguma coisa na vida, então decidi largar o cigarro, tinha que dar um jeito de economizar uma grana com transporte, já que já havia decidido largar o cigarro, podia tomar outra providência para “salvar” mais dinheiro, mas o que? De repente me veio à mente aquela imagem: “baita sorriso” no rosto, “vento batendo na cara”, era isso! Comprar uma bicicleta. Seria a 4ª geração de “magrelas” que me pertenceria.
Dinheiro na conta, começo a pesquisa, materiais, componentes, tamanhos, marcas modelos. Como não tive contato com o meio ciclístico por mais de nove anos, estava por fora das “melhorias tecnológicas” mais recentes, então tive que me informar para não levar gato por lebre.
Por quase três meses procurei por uma magrela que me agradasse e ao mesmo tempo coubesse na minha condição financeira, olhei em sites, lojas, no interior e em São Paulo. Achei! Preta! Como eu gosto! Faltava ir buscar, será que eu já vou buscar e volto pedalando? Espero para estreá-la em uma pedalada mais “nobre”?  Quanta emoção! Comprei a minha bicicleta…
Emoções de criança se misturam a sentimentos novos, como medo de pedalar nas ruas violentas de São Paulo, como será que as pessoas vão reagir a um ciclista inexperiente na rua?
Como eu vou reagir ao trânsito violento de São Paulo? Nesta altura do campeonato a família já reagiu com desconfiança e insegurança, antecipando a visão de uma pessoa da família pedalando pela cidade.
Fui de carro buscar a magrela e uma vez que chuviscava no dia, voltei com a bike no carro… Ainda não foi desta vez que estreei a magrela.
Eu morava a 12 quilômetros do lugar onde pretendia fazer a pós-graduação, e nesta época eu só fazia estágio, então o dia da grande estréia foi indo para lá… Ao contrário do que eu pensava, foi a pedalada mais difícil da minha vida, uma verdadeira loucura, carros passando a mil por hora ao meu lado, os freios dos ônibus zunindo na minha orelha, e o cansaço então, parecia que meu coração ia sair do peito e os pulmões arfavam desesperadamente por oxigênio, achei que nunca mais iria pedalar na minha vida…
Quando cheguei ao estágio, estava todo dolorido, suado, respirando com muita dificuldade, demorei quase duas horas para percorrer os míseros 12 quilômetros que separavam o estágio da minha casa, e mais outras duas horas para me recompor para voltar para casa, o dia no estágio foi totalmente improdutivo, nada deu certo, foi uma verdadeira desgraça…
Mais outras quase duas horas de pedalada e eu estava em casa novamente, mais dolorido, mais suado e muito mais cansado. Neste dia tomei um banho, comi alguma coisa e fui direto para a cama, de tão cansado que eu estava…
As primeiras duas semanas de idas e vindas com a magrela foram muito cansativas e doloridas, mas compensavam pela sensação de bem estar que me forneciam ao final do dia e durante o estágio.
Após as duas primeiras semanas eu me acostumei a pedalar para ir ao estágio, e comecei a arriscar novos caminhos e novos destinos, e em pouco tempo ia a praticamente todos os lugares com a magrela…
Após uns três meses de uso da magrela como meio de transporte, eu economizei o suficiente para pagar a bicicleta. Na época eu rodava de 30 a 50 quilômetros diários, pode não ser muito, mas economizava um monte de transportes.
Saia para pedalar com uma turma nas noites de quinta-feira, adorava cada esforço para vencer uma subida, em algumas semanas chegava em casa mais exausto do que em outras, e mesmo assim a magrela sempre fazia parte do meu dia-a-dia, mas a sensação de bem-estar sempre me acompanhava.
E ao final das contas basta apenas vontade para vencer algumas barreiras e desafios e descobrir um modo novo de se locomover pela nossa cidade, quanto ao dinheiro, ele será bem aplicado em outro lugar, que não o meio de transporte…

criado por brenezao    11:36:09 — Arquivado em: Pedalando — Tags:, ,

15/2/11

Estranho

Em pleno feriado de 7 de setembro, passeando com a minha família, vivi uma cena no mínimo estranha.
Com a cidade vazia, o trânsito estava maravilhosamente bom, nada de demorar duas horas para andar três quilômetros, horas e horas de trânsito para andar poucos quilômetros. Passeamos o dia todo e passamos no máximo 15 a 20 minutos percorrendo os trajetos de um ponto a outro da cidade.
Ao final do dia, percorríamos o caminho de volta à nossa casa, me deparei com um farol fechado, mas nada de estresse, o caminho estava livre, fui me aproximando vagarosamente da faixa de pedestre como sempre faço nas madrugadas, apesar de ser plena luz do dia. O farol foi demorado, de modo que eu cheguei à faixa de pedestre antes do farol abrir e parei. Ao puxar o freio de mão, escutamos um som conhecido, o toque de chamada de rádio de um telefone NEXTEL, nos olhamos e começamos a procurar a fonte do som, uma vez que nenhum de nós dois temos um NEXTEL, neste momento o rapaz que fazia malabarismo com bolinhas de tênis em frente ao nosso carro parou com os malabares, correu até a mochila na calçada e retirou um celular da mesma. Até aqui nada de estranho, o que ouvimos depois é que foi muito estranho.
O rapaz falava com uma voz do outro lado da linha:
- Não Betão*, claro que eu vim… Vô ficar aqui até de noite…
E a voz do outro lado respondeu alguma coisa que não ouvimos. E o rapaz prosseguiu:
- Mas eu tô aqui, pode vir ver… Vô ficar aqui até escurecer sim…
E a voz fala alguma coisa. E o rapaz prossegue:
- Não Betão, eu tô aqui, amanhã eu venho também, pode deixar…
Neste momento o farol abriu e eu saí com o carro, não sei o que aconteceu com o rapaz ou com o Betão, mas fiquei com um pensamento na cabeça.
O malabarista de rua tem um chefe? Ele tem registro em carteira? A empresa fornece celulares para os funcionários? Será que ele tem plano de saúde? Benefícios? Qual será o salário? Qual será o horário de trabalho? Ele trabalhava no feriado, será que ganhou hora extra?
Quantas implicações essa cena pode ter?

*Nome fictício, uma vez que não me lembro o nome que o rapaz mencionou ao telefone.

criado por brenezao    00:36:23 — Arquivado em: E assim vai

30/7/10

Política?

Pessoas, boa noite!

Eu sei que não entendo muito de política, na verdade não me interesso por essa parte mais vulgar (imunda deveria ser a palavra aqui) da humanidade, mas eu entendo que temos os políticos que merecemos.

Se temos esses corruptos, filhos de uma mulher que não teve oportunidades e vive de vender favores sexuais nas esquinas, é culpa única e exclusivamente nossa.

Cito exemplos da nossa incapacidade ou falta de vontade para mudar isso.

Há poucos dias atrás quando acabava a copa do mundo para o time brasileiro gastaram-se horas e inúmeros milhares de reais para descobrir o culpado pelo fracasso da seleção canarinho versão 2010.

Chegamos ao absurdo de ver e “re-ver” milhares de vezes um famoso pisão de um (agora) famoso jogador brasileiro, em outro não tão famoso jogador holandês, e chegamos à conclusão que perdemos a copa em decorrência deste pisão, e não pela simples falta de gols por parte da esquadra brasileira.

Bom enfim semanas de debate sobre uma partida de futebol, quantos de vocês ficaram sabendo da atual colocação do nosso querido país no quesito educação? Não? Sim? Quem sabe?

Nem eu sabia, mas temos a “honrosa” 85ª posição num “ranking” de nem sei quantos países tem o mundo agora, e eu não vi ninguém tentando achar culpados para esse desastre, muito menos gastarem alguns reais para tentar solucionar isso.

Quantos de nós chegamos a perceber que em todo ano eleitoral temos algum tipo de competição relacionada com futebol? Esse eu percebi, para quem não percebeu aí vai, a cada dois anos a nossa esquadra luta ou para ganhar uma copa do mundo ou uma medalha olímpica, que por coincidência é o mesmo período que temos a nossa manifestação “democrática” para a escolha dos nossos “representantes”.

Não me interesso por política por achar que esses que nos “representam” não merecem meu respeito, pois fico tentando votar no “menos ruim” quando deveria tentar escolher o “melhor”.

Um bom indicador de que nossos “representantes” estão mudando, e por conseqüência nós mesmos cobrando mais, seria aparecer ou um político que mudasse as manifestações “democráticas” para anos impares ou um abaixo assinado para que isso acontecesse e que o projeto “ficha-limpa” fosse efetivamente colocado em prática, mas aí quem sobraria para votarmos, não é mesmo?

Outro fator seria a diminuição (porque acabar não vai ocorrer tão cedo) da impunidade para as pessoas de forma geral, desde o “espertinho” que corta fila ao corrupto que desvia o dinheiro da merenda das crianças das escolas públicas.

Na verdade bastaria que nossos “representantes” pensassem nos interesses que foram negligenciados até agora, os interesses da população, que é quem paga os exageradíssimos salários que recebem e não nos interesses do próprio bolso.

Um ponto a ser levado em conta é o exagero de assistencialismo que existe em nome de arrecadar votos (quem não recebeu aquele e-mail que calcula o quanto ganha um “assistenciado” em comparação a um trabalhador?), bolsa família, auxílio leite, auxílio alimentação, vale gás, auxílio PRESÍDIO e por aí vai, tornando desta forma mais vantajoso ser um inútil do que trabalhar por meros trocados do salário mínimo e todos os descontos dele decorrentes.

A grande verdade é que enquanto extremas direitas lutam com extremas esquerdas, ninguém faz nada de concreto para acabar com a farra deste país, mas ao mesmo tempo quem não é extrema nada, mora em um país onde se trabalha para pagar os salários dos “assistenciados” de um presidente que “nunca sabe de nada” e mesmo assim tem mais de 80% de aprovação em seu governo.

Brenê

criado por brenezao    01:31:52 — Arquivado em: Sem categoria

16/12/09

Lamentável

Lamentável, que por definição é algo ou situação a ser lamentada; dá nome a este breve desabafo em forma de relato.

Todos que me conhecem sabem que há algum tempo eu comecei a trabalhar em uma empresa que foge da minha área de atuação, não tenho problema algum com o trabalho em sí, não me considero um viciado em trabalho, mas também nunca fugi do trabalho.

Certo dia ao ser cobrado pela realização de um serviço, que por sinal nem fazia parte das minhas obrigações, mas mesmo assim por inúmeras vezes tentei realizá-lo, me deparei com a seguinte situação: solicitaram-me que tirasse fotos de determinadas situações de prestação de serviço, entregaram-me uma máquina fotográfica digital para fotografar as situações. A pegadinha é que a máquina era muito, muito, mas muito ruim mesmo, e as fotos tiradas por ela eram ridículas, muito ruins e distorcidas.

Após algumas tentativas de utilização da “máquina fotográfica”, utilizei meu bom senso e parei de realizar o trabalho inútil, tendo em vista que as fotos não poderiam sequer ilustrar papel higiênico, quanto mais ter utilização profissional, logo não havia propósito em tirá-las e perder tempo tirando-as. Encostei a máquina em uma gaveta e continuei a desempenhar minhas funções profissionais diárias.

Certo dia, recebo uma cobrança relativa à realização das fotos, cobrança esta que respondi com fatos de que as fotos não seriam úteis para utilização, portanto não havia razão em perder tempo realizando-as.

Ao receber a resposta, meu sangue subiu ao cérebro com uma velocidade atordoante e se não fosse profissional teria mandado o autor da resposta (que por acaso era o dono da empresa) ir tomar naquele lugar na hora, o mais alto e com a maior violência possível.

A resposta recebida transcrita a seguir, que até hoje não consegui engolir e conceber que uma pessoa em posição de chefia respondesse deste modo a um profissional subordinado seu, ainda me arrepia e me enche de arrependimento por não ter seguido meu primeiro impulso de mandá-lo tomar no “lugar onde o sol não brilha”.

Resposta recebida:

“Lamentável a desculpa apresentada para não realizar as fotos”

Ass: Chefe com nome completo (para mostrar importância e imponência) doravante chamado apenas de boçal

Telefone

E-mail para contato

Frasezinha ecológicamente correta (para parecer demonstrar alguma preocupação com o meio ambiente).

A vontade que tive, após ler isso, eu já descrevi acima. Então fui tomado por outro sentimento, o de mandar tudo aquilo para o inferno e sair de imediato da empresa e parar de trabalhar para esse boçal, afinal de contas não dei desculpa alguma, apenas apresentei os fatos como eles se apresentaram, e além do mais, quanto ganha um fotógrafo profissional para fazer essas fotos? Qual a máquina que ele usa? Quanto tempo ele estudou ou passou atrás de uma câmera adquirindo experiência, para fazer esse tipo de fotos?

Com esses pensamentos em mente, comecei a orçar preços de fotógrafos e máquinas fotográficas decentes para enviar ao boçal, atitude esta que foi desencorajada veementemente por colegas (aqui acho que posso chamá-las de amigas) de trabalho a não ser finalizada, ou seja, o boçal não deveria receber meus orçamentos, aceitei os conselhos destas amigas. Eu me arrependo até hoje, de não ter-lhe enviado esses orçamentos, pois não tive meu direito de resposta para desentalar esse “espinho-de-peixe” da minha garganta. Desnecessário dizer que nesse dia eles perderam um profissional motivado, pois quem trabalha motivado para um boçal? Outro boçal talvez! E depois disso ainda trabalhei lá por mais ou menos 6 meses (o que não faz a necessidade), e desse dia em diante comecei a ensaiar um modo de colocar isso para fora, e ao mesmo tempo acumulando situações e atitudes vividas dentro dessa empresa, as quais enumerarei a seguir para finalmente retirar isso da minha vida, pois carregar essas coisas por pessoas não merecedoras não vale a pena, não merecem sequer estar aqui neste blog, mas como faço isso por mim, aí vamos nós.

A seguir situações realmente “lamentáveis” observadas por este que vos escreve, dentro dessa empresa, dirigida por seus ilustres donos-diretores (entre eles o boçal) e por seus “cabe ças”.

· Lamentável é ver os donos-diretores da empresas escondidos na sua sala quando um oficial de justiça chega à empresa.

· Lamentável é trabalhar em uma empresa onde os donos-diretores pensam que pisar nos funcionários é um estímulo para que todos trabalhem melhor.

· Lamentável é trabalhar em uma empresa onde as promessas feitas pelos donos-diretores nunca são cumpridas, e cada dia são feitas muitas mais.

· Lamentável (desculpem-me pela repetição) é trabalhar em uma empresa onde não há qualquer tipo de reconhecimento ao trabalho bem feito, mas quando se comete um erro todos querem mostrar sua insatisfação com o ocorrido.

· Lamentável é trabalhar em uma empresa onde, espremer o funcionário até que ele que ele não consiga mais exercer suas funções, chama-se “vestir a camisa da empresa”.

· Lamentável é trabalhar em uma empresa onde se exige dos funcionários uma boa postura ética, profissional, pessoal, financeira, enquanto os próprios donos-diretores não agem de acordo.

· Lamentável é trabalhar em uma empresa que lhe exige ser honesto e correto enquanto os donos-diretores estão sempre procurando formas de burlar alguma norma, combinado ou lei, em nome de maiores ganhos.

· Lamentável é trabalhar em uma empresa que exige que seja vendido um padrão de serviço com qualidade “excelente”, enquanto se esmigalha os funcionários, muitas vezes reduzindo dinheiro de refeições para obter maior rentabilidade.

· Lamentável é trabalhar em uma empresa onde ao se pedir aumento ou ao menos uma reunião para discutir o assunto, ser enrolado por várias semanas e quando finalmente se é chamado para discutir o assunto, receber uma proposta de “aumento de responsabilidades” apenas, ou quantias ridículas de dinheiro (quantias como R$ 10,00; R$ 20,00 ou R$ 30,00 de aumento).

· Lamentável é trabalhar em uma empresa onde o gerente geral, em plena reunião de definição de metas, assume que nunca entrou no site da empresa, pior, que nem conhece o site.

· Lamentável é trabalhar em uma empresa onde se espera que os funcionários exerçam a função de duas ou três posições, paga mal, não dá o devido reconhecimento e ainda por cima humilha o funcionário quando este diz que não tem tempo de fazer uma função a mais.

· Lamentável é uma pessoa ter que passar por essas situações, perder tempo (o bem mais precioso dos seres humanos) com um boçal, escrevendo ou desabafando com amigos, para se livrar de tantas humilhações sofridas, tantos “sapos” engolidos, e tudo isso para que um boçal ganhe dinheiro, cada vez mais, com sangue suor e lágrimas, dos outros é claro.

· Lamentável é trabalhar…

Poderia me estender aqui citando situações contadas por colegas de trabalho, que revelaram que encontraram no histórico do computador do gerente geral, montes de sites de pornografia (o cara é um religioso fervoroso), que um dos donos-diretores foi flagrado por uma funcionária se masturbando, em pleno escritório e durante o horário de trabalho, mas aí já seria demais, né? Não quero baixar o meu nível ao destes boçais. Então eu considero que tive meu direito de resposta, mesmo sabendo que os boçais nunca lerão esse texto.

Caro leitor, me desculpe se por acaso eu descrevi a sua empresa, não era essa a intenção, mas se você trabalha em um local como esse, talvez seja hora de rever as suas metas e checar se neste trabalho você conseguirá atingir alguma delas, ninguém é insubstituível, mas ao mesmo tempo não existe uma só empresa no mundo (valeu Gisele pelas palavras de sabedoria chinesas), então ponha a sua cara pra fora desse seu mundinho e parta para uma empresa que realmente lhe valorize, onde suas habilidades sejam de fato reconhecidas e seu valor realmente PAGO.

Se você quiser enviar as suas situações para usar como forma de desabafar e se livrar do “seu boçal”, “seu sapo”, ou do que quer que você queira chamar, fique à vontade, mande para: blogdobrene@gmail.com.

Quero também pedir à minha querida e amada esposa e ao meu filhão que me desculpem pelos momentos de estresse total que foram esses meses de trabalho para esse boçal, agradeço pela paciência e pelo apoio que me deram.

Obrigado

Brenê

criado por brenezao    15:13:02 — Arquivado em: Indignação, Sinceramente

10/12/08

Coração…

Há algum tempo eu escrevi uma história triste que começava com: “Uma lágrima escorreu pelo meu rosto…”. Eu pretendia começar esta postagem exatamente assim, mas isto não será possível, pois não foi uma lágrima que escorreu, foram várias, e foram de alegria.

Todos sabem sobre as desgraças que cairam sobre Santa Catarina, pois bem, sabem também que em todo lugar estão pedindo doações para as pessoas que perderam tudo que possuiam por lá. Nada de mais para pessoas que tem plena consciência e entendimento de mundo, muitos de vocês podem pensar assim, eu também pensava.

Com a proximidade do natal, com a perspectiva de que meu “pequeno” ganhe muitos brinquedos e como o quarto dele é pequeno, resolvemos ajudar a alegrar o natal de algumas crianças que perderam tudo e em contrapartida “aliviar” o quarto do menino.

Começamos a conversar com ele sobre um lugar onde havia chovido muito e que tinha entrado água nas casas das pessoas e que alguns meninos tinham perdido seus brinquedos, perguntamos se poderíamos dar os brinquedos que ele não brinca mais para esses meninos. A primeira resposta foi: “Não, é meu”. Decidimos mostrar a ele o lugar do qual falavamos e fomos procurar na internet vídeos de reportagens sobre o ocorrido em Santa Catarina. Em segundos apareceu uma lista com muitos vídeos, escolhi um e abri para mostrar a ele as casas cheias de água.

Quero fazer um parêntese para me desculpar pela escolha do vídeo, talvez não tenha sido a melhor escolha, era uma reportagem sobre uma senhora que perdeu tudo e quase todos os parentes durante os desbarrancamentos, uma história triste que talvez ainda seja muito complexa para meu menino entender, mas durante a reportagem várias imagens de casas semi-submersas foram mostradas, as quais mostramos como sendo de “meninos que perderam seus brinquedos”. Após o final do vídeo, ele pulou do meu colo, correu para seu quarto, pegou um brinquedo, trouxe para a sala e disse: “Pode dar um, né?”

No dia seguinte fui para o trabalho e minha esposa e meu filho ficaram em casa separando brinquedos para doar. Ao chegar em casa a noite, me mostraram que haviam separado uma sacola de brinquedos e um bicho de pelúcia quase do tamanho do meu filho, que ele adora.

Liguei para 193 (telefone de emergência dos bombeiros, anote para caso precise algum dia) para saber como deviamos proceder para doar o que haviam separado. Fui informado que bastaria entregar as doações em qualquer base do corpo de bombeiros que as doações chegariam a Santa Catarina, há um corpo de bombeiros perto da minha casa, foi para onde decidimos levar os brinquedos.

Pegamos a sacola e o bicho de pelúcia (que meu filho mesmo carregou) e fomos a pé para a base dos bombeiros. Ao chegarmos, fomos prontamente atendidos por um bombeiro que estava de serviço, identificamos a intensão de doar os brinquedos. O bombeiro nos agradeceu e recolheu o que haviamos levado, caminhando por entre as pilhas de doações acumuladas no chão da base, colocou os brinquedos na pilha designada para os brinquedos.

Meu filho acompanhou cada passo do bombeiro, olhando onde ele estava levando “seus” brinquedos que ele derá para o “menino”, andava de um lado para outro melhorando o ponto de vista e o campo de visão, para não perder o bombeiro de vista, vigiando-o, para saber o que o bombeiro faria com os brinquedos.

Quando o bombeiro retornou para perto de nós, pedi ao meu filho que dissesse o que era para ser feito com os brinquedos que haviamos levado, ao que , olhando para o bombeiro disse: “É para dar pro menino que não tem, que a casa encheu de água” (ou algo com esse conteúdo). Então meu filho olha para mim e com a cara mais sorridente me pergunta:

- Papai! Agora o “menino” vai ficar feliz?

Então com as lágrimas teimosas escorrendo pelo meu rosto eu respondi:

- Vai sim filhão, vai sim…

E dei lhe um grande e apertado abraço.

 

Brenê

criado por brenezao    22:39:45 — Arquivado em: Sinceramente
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